Em um movimento que reforça o compromisso com a diversificação econômica e a cooperação internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concluiu uma etapa significativa de sua visita oficial à Índia, onde foram firmados oito importantes acordos bilaterais. As parcerias, que abrangem desde minerais críticos e a cadeia de suprimentos do aço até a cooperação em micro, pequenas e médias empresas, sinalizam uma estratégia conjunta de Brasil e Índia para construir resiliência diante do crescente protecionismo e unilateralismo no cenário comercial global.
O pacote de acordos foi celebrado por Lula como um 'dia muito promissor' para ambas as nações, destacando a importância da conectividade e da multiplicidade de parceiros comerciais como pilares para a estabilidade e o desenvolvimento mútuo. A visita se insere em uma agenda mais ampla de fortalecimento dos laços com países asiáticos, visando expandir horizontes econômicos e políticos.
Fortalecendo Laços em Áreas Estratégicas
A série de acordos assinados, a maioria na forma de Memorandos de Entendimento (MoUs), que formalizam intenções e alinhamentos de objetivos, abrange espectros diversos da economia e da sociedade. Um dos destaques é a cooperação em terras raras e minerais críticos, elementos essenciais para a transição energética e tecnológica. Outras iniciativas estratégicas incluem o aprofundamento da parceria no setor de mineração, crucial para a cadeia de suprimentos do aço, e o fomento à colaboração entre as micro, pequenas e médias empresas, reconhecidas como motores de inovação e geração de empregos.
Essas parcerias não se limitam apenas ao comércio de bens, mas se estendem à colaboração em propriedade intelectual, saúde pública e até mesmo ao setor postal, evidenciando uma abordagem multifacetada para a construção de uma relação bilateral mais robusta e integrada.
A Defesa do Multilateralismo e da Resiliência Comercial
Durante o Encontro Empresarial Brasil-Índia, em Nova Deli, onde mais de 300 empresas brasileiras estiveram presentes, o presidente Lula reiterou a visão de que a diversificação comercial e a conectividade representam a melhor resposta ao atual cenário de recrudescimento do protecionismo e do unilateralismo. Ele enfatizou que o fortalecimento das relações com a Índia é um passo fundamental nessa direção, contrastando com a tendência de fechamento de mercados por algumas nações.
Lula defendeu a consistência de ambos os países como 'mega-diversos' e 'polos da indústria cultural', além de compartilharem a defesa inabalável do multilateralismo e da paz. Essa postura se alinha à sua visão de uma governança global mais representativa, inclusive no que tange à regulamentação de tecnologias emergentes como a Inteligência Artificial, que, segundo ele, deveria estar sob a égide de instituições multilaterais como a ONU.
Expansão da Relação Comercial e Ambições Futuras
A visita do presidente ocorre em um período de notável ascensão nas relações econômicas entre Brasil e Índia. Em 2025, o comércio bilateral atingiu o recorde de US$ 15 bilhões, um crescimento de 25,5% em relação ao ano anterior, consolidando a Índia como um parceiro comercial de crescente importância para o Brasil. Apesar desse marco histórico, ambos os países estabeleceram uma meta ainda mais ambiciosa: alcançar US$ 20 bilhões em comércio até 2030.
Lula, que já havia participado da celebração da parceria estratégica em 2006, quando o comércio bilateral era de apenas US$ 2,4 bilhões, ressaltou que o potencial é muito maior. Ele defendeu que a ampliação significativa do Acordo de Comércio Preferencial Mercosul-Índia, vigente desde 2009, é uma prioridade. O objetivo é pavimentar o caminho para um futuro acordo de livre comércio, que proporcionaria um arcabouço mais abrangente e ambicioso para dois mercados de tamanha relevância global.
Detalhes dos Acordos Firmados
Entre os oito instrumentos de cooperação firmados neste sábado, destaca-se a <b>Declaração Conjunta sobre Parceria Digital para o Futuro</b>, que visa impulsionar a colaboração tecnológica e de inovação. No âmbito da mineração, foram assinados dois memorandos cruciais: um entre o Ministério de Minas e Energia do Brasil e seu equivalente indiano para cooperação em <b>Elementos de Terras Raras e Minerais Críticos</b>, e outro focando na <b>Cadeia de Suprimentos do Aço</b>.
A propriedade intelectual também foi contemplada com o <b>Memorando de Entendimento entre o INPI do Brasil e o CSIR da Índia</b> para acesso à Biblioteca Digital de Conhecimento Tradicional (TKDL), promovendo a troca de informações valiosas. Na saúde, um MoU foi estabelecido entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Organização Central de Controle de Padrões de Medicamentos da Índia, visando harmonizar padrões e facilitar o comércio de produtos farmacêuticos.
Completam a lista de acordos a cooperação no <b>Setor Postal</b>, o apoio no <b>Campo das Micro, Pequenas e Médias Empresas</b>, e um MoU sobre o <b>Uso de Certificados Eletrônicos de Origem</b>, que visa simplificar e modernizar as operações comerciais entre os dois países. Esses documentos, em sua maioria, estabelecem as bases para futuras ações e projetos concretos, consolidando a parceria em diversas frentes.
A visita do presidente Lula à Índia e a formalização desses acordos representam um passo estratégico na política externa brasileira, reforçando a importância das parcerias Sul-Sul e o compromisso com um sistema global mais equilibrado e multilateral. Ao diversificar suas relações comerciais e estratégicas, o Brasil, em conjunto com a Índia, busca não apenas impulsionar seu próprio crescimento, mas também fortalecer a resiliência global contra as pressões do protecionismo e unilateralismo, sinalizando um caminho de cooperação e prosperidade compartilhada. Esta etapa asiática da agenda presidencial, que também inclui a Coreia do Sul, sublinha a proatividade do Brasil na busca por novas alianças e mercados.



