A vice-presidente executiva da Venezuela, Delcy Rodríguez, proferiu declarações enfáticas neste domingo (25), durante um encontro com petroleiros no estado de Anzoátegui, repudiando veementemente a interferência externa nos assuntos internos do país sul-americano. Suas palavras ecoaram um sentimento de exaustão diante das pressões internacionais, particularmente as oriundas de Washington, e um clamor por autodeterminação política venezuelana.
O Apelo Venezuelano por Autodeterminação
Em um pronunciamento capturado e transmitido pela TV estatal venezuelana Telesur, Delcy Rodríguez foi categórica: “Já basta de ordens de Washington sobre políticos na Venezuela. Que seja a política Venezuelana que resolva nossas divergências e nossos conflitos internos. Já basta de potências estrangeiras”. A mensagem sublinha a intenção do governo venezuelano de solucionar suas questões internas sem a intervenção de atores externos, reafirmando a soberania nacional.
Ainda em seu discurso, a vice-presidente fez uma avaliação sombria sobre os impactos de embates políticos anteriores, afirmando que “já custou muito caro à República ter que encarar as consequências do fascismo e extremismo em nosso país”. Esta declaração ressalta a percepção de que a polarização interna, possivelmente exacerbada por influências externas, impôs um fardo pesado sobre a nação.
O Pano de Fundo das Sanções e Pressões Externas
As declarações de Rodríguez ocorrem em um cenário de intensa tensão geopolítica. Há anos, os Estados Unidos têm aplicado uma série de sanções contra a Venezuela, com o objetivo declarado de pressionar por uma mudança no governo. Essas medidas punitivas, que já incluíram o congelamento de ativos e restrições comerciais, são amplamente criticadas pelo governo venezuelano como ações que buscam minar sua economia e controle, especialmente sobre o setor petrolífero.
A influência americana se estendeu à gestão e comercialização do petróleo venezuelano, um pilar vital da economia do país, levando a alegações de tentativa de controle externo sobre este recurso estratégico. Essa situação foi agravada por episódios como a apreensão de petroleiros ligados à Venezuela por militares dos EUA, evidenciando a escalada das hostilidades comerciais e diplomáticas. É consenso, inclusive entre analistas externos, que as sanções americanas contribuíram significativamente para o colapso econômico que a Venezuela enfrenta.
A Dança Diplomática Contraditória de Washington
A postura dos Estados Unidos em relação a Delcy Rodríguez, e à liderança venezuelana em geral, tem sido marcada por uma notável inconsistência, especialmente sob a administração de Donald Trump. Embora o governo Trump tenha imposto sanções e feito declarações duras, inclusive ameaçando a vice-presidente com a afirmação de que “se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto”, houve também momentos de aparente abertura.
Paradoxalmente, em outras ocasiões, o próprio ex-presidente Trump elogiou Delcy Rodríguez e chegou a convidá-la para uma visita à Casa Branca. Essa retórica oscilante e as abordagens contraditórias de Washington adicionam uma camada de complexidade à já tensa relação bilateral, gerando incerteza e dificultando a previsibilidade das interações entre os dois países.
Conclusão: O Desejo por Resolução Interna
As recentes declarações de Delcy Rodríguez refletem o desejo persistente do governo venezuelano de resolver seus desafios internos por meios próprios, longe das pressões e injunções de potências estrangeiras. O clamor por autonomia e o repúdio à intervenção externa continuam sendo temas centrais na política venezuelana, moldando sua diplomacia e suas estratégias para enfrentar as complexas crises econômica e política que assolam a nação.



