O México está se preparando para uma transformação significativa em seu sistema de saúde, com o lançamento de um Serviço Universal de Saúde que se assemelha ao modelo brasileiro do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, que terá sua plena implementação em janeiro de 2027, visa assegurar acesso equitativo e abrangente à assistência médica para toda a população, marcando um avanço na política de saúde pública do país.
Unificação de Dados e Tecnologia Digital no Novo Sistema
Um dos pilares essenciais do Serviço Universal de Saúde mexicano será a centralização das bases de dados dos pacientes. Este mecanismo permitirá que os profissionais de saúde visualizem prontuários já cadastrados, evitando a fragmentação de informações e garantindo tratamentos mais informados e eficazes. Além disso, o governo planeja desenvolver um aplicativo digital inovador, que será um ponto central para o acesso a informações importantes, incluindo resultados de exames laboratoriais, facilitando a gestão da saúde pelos próprios cidadãos.
Amplo Escopo de Atendimento e Investimentos Prioritários
O novo sistema receberá investimentos substanciais para garantir o fornecimento contínuo de medicamentos, o funcionamento integral de unidades de atendimento e a disponibilidade de salas de cirurgia em todo o território nacional. O foco inicial do governo abrange áreas críticas como atendimentos emergenciais, gravidez de alto risco, infartos, doenças cerebrais, câncer de mama, consultas preventivas, manejo de quadros graves, nutrição, incentivo a exercícios físicos e suporte à saúde mental. Projetando para 2028, o sistema aprofundará a integração dos serviços, priorizando o intercâmbio de remédios, consultas com médicos especialistas e atenção primária para pacientes com doenças crônico-degenerativas, como Alzheimer, osteoartrite e artrite reumatoide, assegurando tratamento contínuo e especializado.
A Primeira Fase de Cadastramento: Foco na População Idosa
A fase inaugural de cadastramento para o Serviço Universal de Saúde terá início na próxima segunda-feira, 13 de maio, e se estenderá até 30 de abril. Esta etapa prioritária é dedicada aos cidadãos com mais de 85 anos de idade, que deverão comparecer acompanhados de um cuidador ou acompanhante. Para este grupo, o documento de identificação atrelado ao novo sistema será emitido pela Secretaria de Bem-Estar aproximadamente seis semanas após o registro. Este novo documento substituirá as identificações de saúde expedidas por instituições como o Instituto de Seguridade Social Mexicana (IMSS), o Instituto de Seguridade e Serviços Sociais dos Trabalhadores do Estado (ISSSTE) e a Petróleos Mexicanos (Pemex), que atualmente operam como organizações de seguridade social com verbas tripartite e estruturas próprias. Importante ressaltar que trabalhadores autônomos, desempregados e aqueles fora do mercado de trabalho, que antes dependiam de secretarias de saúde estaduais e programas específicos, serão igualmente contemplados.
Alcance e Metas da Fase Inaugural
Este credenciamento inicial será implementado em 24 dos 31 estados do México, com planos de expansão futura. Equipes dedicadas percorrerão 47 municípios, incluindo as 16 demarcações territoriais que compõem a Cidade do México, operando em 2.059 módulos de atendimento. A expectativa é alcançar e cadastrar aproximadamente 2 milhões de pessoas nesta fase piloto. O governo mexicano assegurou que a disponibilidade de 2 mil centros médicos é considerada suficiente para atender às demandas das capitais na primeira fase de implantação, bem como as de outras localidades em etapas futuras.
Visão Presidencial e Comunicação Contínua
A presidenta Claudia Sheinbaum Pardo, que anunciou o programa no início da semana, destacou o compromisso do governo com a transparência e a acessibilidade. A Secretaria de Bem-Estar será responsável por divulgar um calendário detalhado para o cadastramento dos demais grupos populacionais, garantindo que a informação chegue a todos os cidadãos. “Vamos continuar informando todas as semanas, para que as pessoas saibam onde estão os módulos e como vai o cadastramento. É o melhor modelo que podemos seguir para garantir o acesso à saúde”, afirmou a presidenta, sublinhando a importância da comunicação constante e do engajamento da população neste processo transformador.
Contexto Demográfico e Desafios para a Saúde Pública Mexicana
A implementação do Serviço Universal de Saúde ocorre em um cenário de significativas mudanças demográficas no México. Dados da Organização Panamericana de Saúde (Opas) indicam que a população mexicana cresceu 31% entre 2000 e 2023, atingindo 128 milhões de pessoas, com a maioria sendo mulheres. A expectativa de vida média no país é de 75 anos, e os cidadãos somam, em média, 9,7 anos de estudo. Um fator relevante para a digitalização do sistema é que 72% dos habitantes têm acesso à internet. Contudo, o país ainda enfrenta desafios na proporção de profissionais de saúde, registrando em 2020 apenas 0,11 dentistas por 10 mil pessoas e, em 2021, 26,09 médicos por 10 mil pessoas, ressaltando a urgência e a complexidade da expansão e melhoria do atendimento no novo modelo.
A implementação do Serviço Universal de Saúde representa um passo audacioso do México em direção a um futuro onde a saúde seja um direito fundamental acessível a todos. Ao adotar um modelo que se inspira no sucesso de experiências internacionais e ao investir em tecnologia e infraestrutura, o governo mexicano busca construir um sistema mais integrado, eficiente e equitativo, prometendo transformar a paisagem da saúde pública no país nos próximos anos.



