Durante o início de sua aguardada viagem apostólica à África, o Papa Leão XIV abordou diretamente as críticas do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando categoricamente que não teme o líder estadunidense. As declarações do pontífice foram feitas a bordo do voo que o levava para Argel, primeira parada de uma turnê que visa promover a reconciliação e o respeito entre os povos do continente.
A Mensagem do Evangelho e o Papel da Igreja
Leão XIV enfatizou que sua missão e a da Igreja se fundamentam na propagação da mensagem do Evangelho, atuando como construtores de paz, e não como atores políticos convencionais. "Continuarei falando com voz forte sobre a mensagem do Evangelho, pela qual a Igreja trabalha. Não somos políticos, não olhamos para a política externa com a mesma perspectiva", declarou o Papa, distanciando sua atuação das disputas diplomáticas e partidárias. Ele reiterou que seu propósito é promover a paz e a reconciliação, em contraste com a dinâmica da política internacional.
As Críticas de Donald Trump ao Pontificado
As declarações do Papa surgem em resposta a uma série de críticas virulentas proferidas por Donald Trump na rede social Truth Social. O ex-presidente havia acusado Leão XIV de ser "fraco em política externa" e de "agradar a esquerda radical". Trump expressou seu descontentamento com um papa que, segundo ele, não vê problema na possibilidade de o Irã possuir armas nucleares, criticou a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela e ousou censurá-lo enquanto cumpria o mandato para o qual foi eleito. O ex-presidente chegou a insinuar que Leão XIV teria sido eleito por ser estadunidense, na expectativa de que seria mais fácil lidar com os republicanos, sugerindo que o Papa deveria ser grato por essa suposta circunstância.
Uma Viagem Apostólica pela Paz e Reconciliação na África
Apesar das tensões transatlânticas, o foco principal de Leão XIV está em sua peregrinação pela África, um roteiro que ele descreveu como "especial" e há muito desejado. Acompanhado por cerca de 70 jornalistas, o pontífice expressou a grande expectativa de que esta viagem ofereça uma "oportunidade muito importante para promover a reconciliação e o respeito pelos povos". Sua agenda, que se estenderá até a próxima quinta-feira (23), inclui visitas à Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial, marcando um significativo engajamento pastoral com o continente.
O Apelo Universal do Papa Contra a Guerra
Além das discussões políticas, o Papa Leão XIV reiterou seu veemente apelo contra a guerra, uma postura constante em seu pontificado. Ele lamentou que a mensagem do Evangelho seja por vezes deturpada e reafirmou seu compromisso em promover a paz, o diálogo e o multilateralismo como ferramentas essenciais para encontrar soluções para os conflitos globais. "Muitas pessoas estão sofrendo hoje, muitos inocentes foram mortos e acredito que alguém deve se levantar e dizer que há um caminho melhor", afirmou. Leão XIV deixou claro que sua mensagem é dirigida a todos os líderes mundiais, sem distinção, convidando-os a "tentar acabar com as guerras e promover a paz e a reconciliação", uma exortação que transcende as disputas pessoais com qualquer chefe de estado.


