Pix Mais Seguro: Novas Regras do Banco Central Otimizam Recuperação de Valores e Combatem Fraudes

O sistema de pagamentos instantâneos Pix, pilar da modernização financeira brasileira, acaba de ganhar um reforço significativo em sua arquitetura de segurança. Entraram em vigor nesta segunda-feira (2) as novas regras definidas pelo Banco Central (BC), com o objetivo primordial de agilizar a recuperação de valores transferidos indevidamente e fortalecer o combate a golpes, fraudes e situações de coerção. A iniciativa visa proporcionar maior proteção aos usuários e desestimular a atuação de criminosos financeiros, tornando o ambiente de transações eletrônicas mais resiliente.

Aprimoramento do Mecanismo Especial de Devolução (MED)

A principal inovação reside na atualização do Mecanismo Especial de Devolução (MED), que agora assume sua versão 2.0. Este pilar fundamental da segurança do Pix passa a permitir um rastreamento muito mais eficiente do dinheiro em casos de fraude. Anteriormente, a devolução ficava restrita à conta que recebia a quantia inicial do golpe, mas agora o sistema é capaz de seguir o fluxo dos recursos mesmo quando são rapidamente pulverizados para múltiplas contas intermediárias, uma tática comum em crimes financeiros.

Com essa capacidade ampliada de rastreamento, o Banco Central projeta um aumento substancial na taxa de recuperação dos valores desviados, concomitantemente a uma redução significativa no sucesso das tentativas de fraude. Especialistas do setor estimam que essa reformulação pode diminuir em até 40% o número de golpes que chegam a ser concretizados, trazendo um alívio considerável para as vítimas e aumentando a confiança no sistema.

Inovações e Procedimentos Simplificados para o Usuário

Além do robustecimento do MED, as novas diretrizes introduzem uma série de outras medidas que visam aprimorar a segurança e simplificar a experiência do usuário em situações de adversidade. Estas inovações abrangem desde a automatização de processos até o reforço na colaboração entre as entidades financeiras, seguindo uma determinação do BC que já havia preparado o terreno em outubro, ao exigir que todas as instituições oferecessem o botão de contestação em seus aplicativos.

Rastreamento Avançado e Bloqueio Proativo

Uma das grandes novidades é a obrigatoriedade do MED 2.0 para todas as instituições que operam o Pix. Isso se traduz em um rastreamento do dinheiro que não se limita à conta inicial, permitindo que o sistema acompanhe as transferências subsequentes para contas intermediárias. Complementarmente, contas com denúncia de fraude poderão ser bloqueadas de forma imediata e automática, mesmo antes da conclusão da análise detalhada, agindo como uma barreira inicial contra a movimentação dos recursos ilícitos.

Prazo Otimizado e Colaboração Interinstitucional

As novas regras também contemplam um prazo reduzido para a recuperação dos valores. O Banco Central estima que, com as melhorias implementadas, os montantes contestados possam ser restituídos em até 11 dias após a solicitação, um período significativamente mais curto do que o observado anteriormente. Para viabilizar essa agilidade, as instituições financeiras passarão a compartilhar dados e informações sobre o caminho do dinheiro em tempo real, facilitando o bloqueio e a devolução dos recursos em um esforço conjunto.

Autonomia do Usuário na Contestação

No que tange à interação do correntista, o processo de contestação foi simplificado por meio do autoatendimento. A vítima de fraude pode agora solicitar a devolução diretamente pelo aplicativo do seu banco, eliminando a necessidade de contato humano e tornando o procedimento mais ágil e acessível. É crucial, contudo, que os usuários compreendam que o MED é destinado exclusivamente para casos de fraude, suspeita de fraude ou erro operacional da instituição, não se aplicando a transferências realizadas para destinatários incorretos por equívoco do próprio usuário.

O Que Fazer em Caso de Fraude: Guia Prático para o Correntista

Para os usuários que infelizmente se depararem com uma situação de fraude, o Banco Central estabeleceu um fluxo claro de ações para maximizar as chances de recuperação dos valores. A agilidade na comunicação é um fator determinante para o sucesso do processo. Em primeiro lugar, o cliente deve contestar a transação o mais rápido possível, utilizando os canais oficiais disponibilizados pelo seu banco.

Uma vez acionada a contestação, a instituição de origem tem até 30 minutos para comunicar o ocorrido à instituição recebedora do Pix. Este alerta rápido permite que os recursos sejam imediatamente bloqueados na conta do suspeito, impedindo sua movimentação. Posteriormente, ambas as instituições, a de origem e a recebedora, conduzem uma análise detalhada do caso. Se a fraude for confirmada após essa investigação, o valor é prontamente devolvido ao correntista. Caso contrário, se não houver indícios suficientes de fraude, o dinheiro é então liberado para o recebedor, garantindo a integridade do processo.

Impacto e Expectativas para a Segurança do Pix

Com a entrada em vigor dessas robustas alterações, o Banco Central reitera seu compromisso com a segurança e a confiança no Pix. As novas regras, em especial a versão 2.0 do MED e aprimoramentos nos mecanismos de rastreamento e bloqueio, representam um passo significativo na proteção dos usuários do sistema de pagamentos instantâneos, consolidando-o como um dos mais seguros e eficientes do mundo.

A expectativa é que a capacidade de seguir o dinheiro por múltiplas contas e o bloqueio proativo desestimulem o uso recorrente de contas para a prática de crimes financeiros, que se tornam mais difíceis de concretizar. Ao tornar o Pix um ambiente mais seguro e com maior capacidade de recuperação de valores, o BC busca não apenas reduzir as perdas por fraude, mas também fortalecer a credibilidade do sistema e a tranquilidade de milhões de brasileiros que utilizam o Pix diariamente, promovendo uma inclusão financeira mais segura.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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