O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcará para o Panamá nos dias 27 e 28 de janeiro, onde participará, como convidado especial, do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe. O evento, que se estenderá até o dia 30, é uma plataforma crucial para debater os desafios e oportunidades da região. A agenda e os detalhes da viagem foram apresentados no Itamaraty pela secretária de América Latina e Caribe, Gisela Padovan, destacando a relevância da presença brasileira para a cooperação e o diálogo regional.
Agenda Presidencial e Participação de Destaque
A programação presidencial prevê a chegada de Lula ao Panamá na terça-feira, dia 27. No dia seguinte, quarta-feira, ele participará da solenidade de abertura do fórum, onde terá o privilégio de ser o segundo a discursar, logo após o anfitrião, presidente José Raúl Mulino. Essa posição de honra sublinha o peso da voz brasileira no cenário regional. Ainda na quarta-feira, a agenda inclui uma visita a uma das eclusas do Canal do Panamá para a foto oficial do evento, seguida de uma provável reunião bilateral com o presidente Mulino no palácio presidencial, embora a confirmação final dependa do Itamaraty. Após um almoço com outros chefes de Estado, o presidente Lula deverá retornar ao Brasil no final da tarde do mesmo dia 28.
Diálogo Aberto: Encontros Bilaterais e Posicionamento Diplomático
Paralelamente à programação oficial do fórum, são esperados diversos encontros bilaterais entre o presidente Lula e outros líderes. A diplomata Gisela Padovan ressaltou a política brasileira de manter diálogos construtivos com todos os presidentes, independentemente de suas linhas ideológicas, enfatizando que “relações históricas são muito maiores do que o momento político”. Já confirmaram presença e, consequentemente, a expectativa de reuniões com Lula, os presidentes do Equador, Guatemala, Bolívia e Chile, além do primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness, com outras confirmações ainda aguardadas. Essa abordagem reforça o compromisso do Brasil com a integração e a boa vizinhança na região.
Temas Centrais: Economia e Combate ao Crime Organizado
O Fórum Econômico Internacional servirá como palco para debates cruciais sobre o futuro da América Latina e Caribe. Na pauta econômica, serão abordados o papel da região, especialmente no que tange ao setor privado, além de infraestrutura e desenvolvimento, inteligência artificial, comércio regional, energia, mineração e segurança alimentar. Um tópico de igual importância é a segurança, com foco na união de esforços para combater o crime organizado. A diplomata brasileira antecipou que o Brasil oferecerá contribuições significativas nesta área, partilhando os avanços obtidos na administração penitenciária. Além dos encontros de chefes de Estado, estão programadas reuniões ministeriais, onde o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, discutirá facilitação e novas regras para investimentos mútuos e a criação de uma rede de países para o desenvolvimento econômico, visando “fechar um ciclo negociador importante que abrirá novas perspectivas”.
Relação Estratégica Brasil-Panamá e o Canal de Água
A relação entre Brasil e Panamá já se destaca por um “robusto investimento brasileiro” e a expectativa de novos acordos para fomentar ainda mais essa parceria econômica. O Brasil figura como o 15º maior usuário do Canal do Panamá, por onde transitam anualmente cerca de 7 milhões de toneladas de produtos exportados pelo país. Em relação à crescente disputa de influência no canal, que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico, entre Estados Unidos e China, o Brasil mantém uma postura de neutralidade, conforme protocolo já manifestado e que aguarda tramitação no Congresso Nacional. Esta posição sublinha a busca por uma diplomacia equilibrada e focada em interesses comerciais e de desenvolvimento mútuos.
Engajamento do Panamá com o Mercosul e Comércio Bilateral
O Panamá desempenha um papel pioneiro na região, sendo o primeiro país da América Central a se associar ao Mercosul. Essa proximidade foi ainda mais reforçada por sua recente participação na cerimônia de assinatura do acordo entre o bloco e a União Europeia, no Paraguai. A embaixadora Padovan destacou que “as sinalizações do Panamá para o Mercosul são sinal de engajamento muito claro do nível mais alto possível”, indicando um alinhamento estratégico crescente. As negociações comerciais entre os dois países podem ocorrer tanto via bloco quanto de forma direta. O intercâmbio comercial bilateral registrou um crescimento notável de 78% em 2026, atingindo US$ 1,6 bilhão, com o petróleo e seus derivados liderando as exportações brasileiras. Recentemente, o Panamá também adquiriu quatro aviões Super Tucano da Embraer, diversificando e fortalecendo ainda mais os laços comerciais e de defesa.
Perspectivas de Cooperação e Integração Regional
A participação do presidente Lula no Fórum Econômico Internacional no Panamá reforça o compromisso do Brasil com a integração e o desenvolvimento sustentável da América Latina e Caribe. Ao promover o diálogo sobre temas econômicos cruciais, segurança regional e o fortalecimento de relações bilaterais e multilaterais, o Brasil busca consolidar sua posição como um ator chave na construção de um futuro mais próspero e seguro para a região. As discussões e os acordos esperados durante o evento têm o potencial de abrir novas avenidas para o comércio, investimento e cooperação, reiterando a importância da união para superar os desafios comuns e capitalizar as oportunidades que se apresentam.



