Desafio da Altitude: Cruzeiro Garante Vitória Crucial na Estreia da Libertadores Feminina

Desafio da Altitude: Cruzeiro Garante Vitória Crucial na Estreia da Libertadores Feminina

A edição da Libertadores Feminina de 2023 impõe um adversário extra aos clubes brasileiros: a altitude de Quito, capital equatoriana, situada a 2.850 metros acima do nível do mar. O Cruzeiro, pioneiro entre os times do país a encarar um dos anfitriões, demonstrou notável superação ao vencer a LDU por 2 a 1 na noite de sexta-feira (16), no Estádio Casa Blanca, garantindo os primeiros pontos pelo Grupo C.

O Embate Inicial e a Reação Equatoriana

No apito inicial, as Cabulosas impuseram sua superioridade técnica, materializando-a em gol logo aos nove minutos. A atacante Byanca Brasil cobrou uma falta de longa distância que, após desviar nos dedos da goleira Liceth Suárez e bater no travessão, encontrou a lateral Gisseli. Ela se antecipou à marcação e empurrou a bola para as redes, abrindo o placar para as mineiras.

Contudo, a intensidade inicial cobrou seu preço rapidamente, e os efeitos da altitude começaram a ser visíveis no desgaste das jogadoras cruzeirenses. A LDU aproveitou a situação, assumindo o controle do jogo e pressionando. A goleira Camila Rodrigues foi exigida em pelo menos duas intervenções cruciais antes que as equatorianas chegassem ao empate, aos 34 minutos, com Justine Cuadra, que aproveitou uma sobra de chute no travessão de Maylin Arreaga para finalizar no canto esquerdo.

A equipe da casa ainda teve um gol de cabeça anulado pelo VAR, marcado por Milagro Barahona, após a arbitragem de vídeo constatar que a bola havia saído pela linha lateral antes do cruzamento. Esse lance manteve o placar de 1 a 1, oferecendo um respiro crucial para o Cruzeiro antes do intervalo.

Estratégia e o Gol da Virada

O panorama da segunda etapa refletiu o final do primeiro tempo: a LDU mantinha a intensidade e a pressão, enquanto o Cruzeiro, visivelmente fadigado, buscava administrar o ritmo, priorizando a posse de bola e explorando contra-ataques rápidos com Byanca Brasil e Vanessinha para tentar desequilibrar o jogo.

A persistência da estratégia celeste foi recompensada aos 18 minutos. Marília, artilheira do time na temporada, lançou Byanca Brasil em profundidade pela esquerda. A camisa 10 demonstrou velocidade e técnica, invadindo a área e finalizando com precisão na saída da goleira Suárez, recolocando o Cruzeiro à frente no placar.

Com a vantagem novamente conquistada, os minutos finais transformaram-se em uma verdadeira prova de resistência para as Cabulosas. O Cruzeiro conseguiu segurar o resultado, garantindo uma vitória fundamental e assumindo a liderança isolada do Grupo C. Em outra partida da chave, Bolívar (Bolívia) e Olimpia (Paraguai) empataram em 2 a 2, somando um ponto cada, enquanto a LDU permanece sem pontuação.

O Desafio Persistente da Altitude para Clubes Brasileiros

A jornada do Cruzeiro na Libertadores Feminina continua com um novo desafio contra o fator altitude. O próximo adversário será o Bolívar, da Bolívia, na segunda-feira (19), às 17h (horário de Brasília), novamente no Estádio Casa Blanca. Embora o jogo não seja em La Paz, cidade do Bolívar a 3.650 metros, a equipe boliviana é naturalmente adaptada às condições de rarefação do ar, o que representa mais um obstáculo para as mineiras.

Além do Cruzeiro, outros representantes brasileiros também terão que lidar com o impacto da altitude. O Palmeiras, por exemplo, enfrentará o Dragonas, time feminino do Independiente del Valle, na terceira e última rodada do Grupo B. Este confronto, marcado para a próxima quarta-feira (21) no Estádio Banco Guayaquil, colocará as Palestrinas diante de um adversário igualmente familiarizado com as condições atmosféricas da capital equatoriana, adicionando uma camada extra de complexidade à sua campanha. O Verdão, contudo, terá um embate anterior contra o Belgrano (Argentina), neste domingo (18), que poderá determinar sua situação para esse desafio.

A vitória do Cruzeiro contra a LDU, sob as desafiadoras condições de Quito, é um testemunho da capacidade de superação e da qualidade técnica do futebol feminino brasileiro. Este triunfo inaugural não apenas posiciona a equipe mineira favoravelmente no Grupo C, mas também estabelece um precedente de resiliência frente aos obstáculos naturais da competição, projetando um torneio onde a adaptação à altitude será um diferencial crucial para o sucesso dos clubes do Brasil.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

cardminas

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