O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, ressaltou recentemente a urgência de uma reavaliação estratégica das relações comerciais entre Brasil e Rússia. Em encontro com o embaixador russo Sergey Pogosovich Akopov, Alckmin destacou que, apesar da relevância já estabelecida, o intercâmbio econômico entre as duas nações permanece aquém de seu verdadeiro potencial, abrindo caminho para uma agenda de cooperação mais robusta e diversificada.
Análise da Balança Comercial: O Cenário Atual e a Lacuna de Oportunidades
Em 2023, o volume total do comércio bilateral entre Brasil e Rússia atingiu a marca de US$ 10 bilhões. Embora este valor seja significativo, foi categorizado pelo vice-presidente como insuficiente diante das capacidades econômicas de ambos os países. A balança comercial revelou um desequilíbrio notável: as exportações brasileiras para a Rússia somaram US$ 2.4 bilhões, majoritariamente compostas por produtos do agronegócio como carnes, soja, café, açúcar e frutas. Em contrapartida, as importações do Brasil originárias da Rússia alcançaram US$ 7.6 bilhões, concentrando-se principalmente em fertilizantes, petróleo e carvão. Este cenário resultou em um déficit de US$ 5.2 bilhões para o Brasil, sublinhando a necessidade de diversificar a pauta de exportações brasileiras com produtos de maior valor agregado e explorar novos mercados dentro da federação russa.
Pilares Estratégicos para a Diversificação e Expansão Econômica
A visão de Alckmin para o futuro da relação comercial transcende a simples manutenção do fluxo atual, mirando uma expansão que abranja setores estratégicos com grande potencial de sinergia. A dependência brasileira por fertilizantes, combinada com a posição da Rússia como um dos maiores produtores globais, configura um eixo primordial para a cooperação. Além disso, as discussões apontaram para oportunidades significativas em áreas como energia, tecnologia de ponta e infraestrutura, onde ambos os países podem se beneficiar mutuamente através de investimentos e troca de expertise. A história de complementaridade, onde a Rússia já foi um grande fornecedor de trigo ao Brasil e este último é um importante provedor de alimentos, serve como base para a construção de uma parceria mais complexa e robusta, focada não apenas na exportação de commodities, mas também na troca de conhecimentos e bens industrializados.
Fortalecendo Mecanismos de Diálogo e Cooperação Multilateral
Para transformar o potencial em resultados concretos, foi enfatizada a necessidade de fortalecer e criar mecanismos eficazes de facilitação de comércio e investimentos. Embora um Memorando de Entendimento entre o Mercosul e a União Econômica Euroasiática (que inclui a Rússia) exista desde 2017 com o objetivo de promover o intercâmbio, sua implementação prática ainda carece de maior impulso. Neste contexto, Alckmin propôs a realização de uma reunião técnica específica para identificar e detalhar novas avenidas de negócios e parcerias. Além dos acordos bilaterais, plataformas multilaterais como o BRICS, que terá a Rússia na presidência em 2024, e o G20 oferecem importantes fóruns para aprofundar o diálogo e coordenar ações estratégicas, impulsionando a agenda econômica e política entre os dois países.
A mensagem central do vice-presidente Alckmin é clara: Brasil e Rússia possuem uma base sólida de relações, mas o momento exige um salto qualitativo. Com um esforço conjunto na identificação de novas oportunidades, na diversificação das pautas comerciais e no fortalecimento dos canais de diálogo, é possível não apenas corrigir o desequilíbrio da balança comercial, mas também construir uma parceria estratégica que traga benefícios significativos para ambos, consolidando a presença mútua em um cenário global em constante transformação.
Fonte: https://valor.globo.com



