A Busca Milenar Chega ao Fim? Arqueólogo Afirma Ter Encontrado a Mítica ‘Cidade Perdida de Almançor’

Após mais de mil anos de mistério e especulações, o local de uma fortaleza lendária do século X, conhecida como Madinat al Zāhira ou a 'Cidade Perdida de Almançor', pode ter sido finalmente identificado. Esta antiga fortaleza, associada ao reinado do líder militar muçulmano Almançor, era tida como um enigma arqueológico, cuja localização eludia estudiosos e historiadores. A emocionante revelação, que promete reescrever partes da história medieval da Andaluzia, é fruto do trabalho meticuloso do arqueólogo Antonio Monterroso Checa, professor associado da Universidade de Córdoba, na Espanha, utilizando tecnologia de ponta.

A descoberta potencial, se confirmada por futuras investigações, tem o poder de encerrar um debate secular e solidificar o entendimento sobre um dos períodos mais vibrantes da história ibérica. Os resultados preliminares, que fundamentam esta nova hipótese, foram detalhados em um artigo recente publicado na revista Meridies: Estudos em História e Patrimônio da Idade Média, destacando o rigor científico por trás da pesquisa.

Desvendando o Mito de Madinat al Zāhira

Madinat al Zāhira, a 'Cidade Perdida', não é apenas uma fortificação; é um símbolo da grandiosidade e do poder de Almançor (Abu Amir al-Mansur), que dominou a política de Al-Andalus no final do século X. Ao longo dos séculos, a fascinação por esta cidade fabulosa gerou mais de vinte teorias sobre sua localização, muitas delas baseadas em interpretações literárias e deduções geográficas sem o respaldo de evidências arqueológicas concretas. Essa ausência de provas empíricas alimentava o caráter quase mítico da cidade, transformando-a em um tesouro histórico inatingível.

Antonio Monterroso Checa, em seu estudo, critica abertamente essa abordagem anterior, ressaltando que 'uma opinião generalizada, desprovida de qualquer prova empírica, sustenta que a cidade de Almançor deve estar aninhada bem ao lado de Córdoba em sua fronteira oriental'. Ele argumenta que a documentação existente era esparsa, confusa e muitas vezes tendenciosa, inadequada para uma exegese topográfica precisa, o que perpetuava o mistério em vez de solucioná-lo.

A Tecnologia LiDAR na Busca Histórica

A chave para esta potencial descoberta reside na aplicação inovadora da tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging). Esta técnica, que utiliza pulsos de laser para criar modelos digitais detalhados da superfície terrestre, permite aos arqueólogos 'enxergar' através da vegetação e outras obstruções, revelando características ocultas no terreno. Monterroso Checa não é novato no uso desta ferramenta; em 2019, ele já havia recebido reconhecimento por seu trabalho em recriar digitalmente a geomorfologia de Córdoba e seus arredores com o LiDAR, estabelecendo uma base sólida para a pesquisa atual.

A nova investigação expandiu seu trabalho anterior, utilizando modelos de elevação digital derivados de dados LiDAR de acesso aberto, disponibilizados pelo Instituto Geográfico Nacional (IGN) da Espanha. Ao integrar esses dados com análises históricas e informações prévias sobre Madinat al-Zāhira, o arqueólogo conseguiu ir além das especulações, empregando uma metodologia que ele descreve como a única evidência 'válida e validada' possível, marcando um avanço significativo na arqueologia da região.

Onde a História Encontra a Ciência: A Localização Proposta

Com base em informações que começaram a surgir em 2023, já se suspeitava que a cidade pudesse estar na parte leste de Córdoba, a aproximadamente 12 quilômetros da famosa Mesquita-Catedral, perto de Alcolea. O que o LiDAR de Monterroso Checa fez foi transformar essa suspeita em uma forte hipótese. A análise detalhada revelou uma série de 'anomalias' no terreno, nas colinas de Pendolillas – uma área já mencionada em registros históricos do século XV –, que indicam a presença de uma vasta estrutura arqueológica subterrânea.

Essas anomalias são consistentes com a existência de grandes construções, incluindo um traçado em terraços e características que se assemelham a plantas baixas de edificações. Os dados de LiDAR não apenas confirmaram a localização geral, mas também expandiram a área estimada da cidade para cerca de 120 hectares, um tamanho que corresponde às expectativas históricas para uma fortificação da magnitude de Madinat al-Zāhira. A precisão dos milhões de pontos de dados do LiDAR alinha-se, inclusive, com a localização de operações de criação de cavalos reais conhecidas desde a Idade Média Tardia, reforçando a plausibilidade da descoberta.

Monterroso Checa conclui que essas características incomuns 'são produzidas pela existência, no subsolo e em elevação, de um enorme sítio arqueológico que, pelas suas características, deve corresponder à cidade perdida de Almançor', apresentando este local como o candidato mais forte para a lendária cidade até o momento.

O Futuro da 'Cidade Perdida'

A proposta de localização de Madinat al Zāhira, detalhada no estudo de Monterroso Checa, “Proposed location of Madinat Al-Zahira in the easternmost part of Córdoba”, representa um marco potencial na arqueologia espanhola. Se as anomalias detectadas pelo LiDAR forem confirmadas por escavações futuras, a descoberta não só resolverá um enigma milenar, mas também oferecerá uma janela inestimável para a compreensão da organização urbana, da vida diária e do poder político no califado de Córdoba durante o auge do domínio muçulmano.

Embora a cautela científica seja sempre fundamental, a robustez dos dados gerados pelo LiDAR e a meticulosa análise histórica e geográfica que os acompanha, sugerem que a lendária 'Cidade Perdida de Almançor' pode estar mais perto de ser desenterrada do que nunca, prometendo novas e fascinantes percepções sobre um capítulo vital da história da humanidade.

Fonte: https://thedebrief.org

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