Juiz de Fora, em Minas Gerais, foi atingida por chuvas de intensidade sem precedentes, levando a prefeitura a decretar estado de calamidade pública. O volume pluviométrico acumulado fez deste fevereiro o mais chuvoso da história do município, superando o dobro da média esperada para o mês. As consequências foram devastadoras, com o registro de vítimas e uma série de transtornos que paralisaram a cidade.
Recorde Histórico de Precipitação
A cidade testemunhou um fenômeno climático extremo, com a prefeita Margarida Salomão confirmando um acúmulo de 584 milímetros de chuva. Este índice extraordinário não apenas pulverizou recordes anteriores, mas representou um volume mais que duas vezes superior ao que normalmente seria esperado para todo o mês de fevereiro. A saturação do solo e o aumento abrupto do nível dos rios foram consequências diretas dessa descarga hídrica monumental.
Impacto Humano e Material: Mortes e Desabamentos
A ferocidade dos temporais resultou em uma tragédia, com o balanço atualizado indicando 14 mortes confirmadas. Além das perdas de vida, a cidade contabilizou 20 soterramentos, com foco principal na região sudeste, onde a fragilidade do terreno, agravada pelas chuvas intensas, provocou deslizamentos de terra. Moradias foram atingidas e bairros inteiros ficaram isolados, dificultando o acesso e a mobilidade de milhares de moradores.
Rio Paraibuna Transborda e Agrava Cenário
Um dos marcos históricos desta calamidade foi o transbordamento do Rio Paraibuna. O avanço das águas para além de sua calha usual inundou vastas áreas urbanas, adicionando complexidade à situação já crítica. Equipes do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais foram acionadas para atender a um número expressivo de ocorrências, superando 40 chamadas emergenciais em poucas horas, que incluíam desde inundações e soterramentos até riscos estruturais em encostas e residências próximas ao rio, além de vias bloqueadas e residentes ilhados.
Mobilização de Emergência e Medidas Adotadas
Diante da gravidade, a Prefeitura de Juiz de Fora mobilizou todos os recursos disponíveis, com o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil atuando incansavelmente na busca por sobreviventes e no auxílio às vítimas. Para preservar a segurança da população e facilitar as operações de resgate, as aulas nas creches e escolas municipais foram suspensas. Os funcionários da prefeitura passaram a trabalhar em regime de teletrabalho, e a recomendação oficial às pessoas é para que evitem sair de casa e façam apenas deslocamentos estritamente necessários, minimizando riscos em meio ao caos.
A cidade de Juiz de Fora agora se concentra em mitigar os efeitos imediatos da tragédia e em iniciar um longo processo de recuperação, enfrentando os desafios impostos por um evento climático que redefiniu seu histórico de chuvas e deixou marcas profundas na comunidade.



