O cenário político e previdenciário do Rio de Janeiro foi abalado nesta semana com a exoneração de Deivis Marcon Antunes do cargo de diretor-presidente do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência). A decisão do governador Cláudio Castro (PL), formalizada em Diário Oficial, ocorreu no mesmo dia em que Antunes foi alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal, evento que precedeu seu anúncio de renúncia.
Operação Barco de Papel: O Catalisador da Crise
A saída de Antunes da liderança da Rioprevidência é o desdobramento direto da Operação Barco de Papel, autorizada pela 6ª Vara Federal Criminal. O objetivo central da ação policial, conforme nota da Polícia Federal, é investigar suspeitas de operações financeiras irregulares que teriam exposto o patrimônio da autarquia – responsável pela gestão das aposentadorias e pensões dos servidores públicos estaduais – a riscos elevados e incompatíveis com sua finalidade essencial. Além da residência de Deivis Marcon Antunes, a Polícia Federal estendeu as buscas a outros ex-dirigentes do fundo, como Eucherio Lerner Rodrigues, ex-diretor de Investimentos, e Pedro Pinheiro Guerra Leal, que ocupou interinamente a mesma diretoria.
Detalhes da Investigação: R$ 970 Milhões e Crimes Financeiros
Desde novembro do ano passado, a Polícia Federal concentra esforços na análise de aportes que totalizam R$ 970 milhões realizados pela Rioprevidência. Estes valores foram aplicados em títulos do Banco Master, especificamente letras financeiras, em nove operações distintas que se estenderam entre novembro de 2023 e julho de 2024. A investigação aponta para a possibilidade de que dirigentes tanto da Rioprevidência quanto do Banco Master tenham cometido uma série de crimes contra o sistema financeiro nacional. Entre as irregularidades suspeitas estão gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública ao erro, fraude à fiscalização ou ao investidor, além de associação criminosa e corrupção passiva.
Apreensões e o Posicionamento da Rioprevidência
Durante as diligências da Operação Barco de Papel, foram efetuadas diversas apreensões que podem subsidiar as investigações. Na residência de Antunes, foram encontrados um veículo de luxo blindado, R$ 7 mil em dinheiro, um pen drive, um relógio e documentos que serão submetidos a perícia. Na casa de Eucherio Lerner Rodrigues, a PF apreendeu R$ 3,5 mil em espécie, outro veículo de luxo, celular, notebooks, pen drive, HDs e documentos. Embora a Rioprevidência tenha negado previamente qualquer irregularidade, assegurando que os pagamentos de aposentados e pensionistas continuavam ocorrendo normalmente, a operação federal levanta sérias questões sobre a integridade da gestão financeira do fundo e a segurança dos recursos previdenciários.
A exoneração de Deivis Marcon Antunes e a abrangência da Operação Barco de Papel sinalizam uma fase crítica para a Rioprevidência, entidade vital para milhares de servidores públicos fluminenses. A continuidade das investigações da Polícia Federal será determinante para esclarecer as suspeitas de fraudes e garantir a responsabilização dos envolvidos, buscando restaurar a confiança na gestão do patrimônio previdenciário do estado.



