A devastação causada pelas fortes chuvas em Minas Gerais intensificou-se, elevando para 66 o número de vítimas fatais. As cidades de Juiz de Fora e Ubá foram as mais atingidas, concentrando a maioria das mortes e um cenário de destruição que mobiliza equipes de resgate e assistência. Além das perdas humanas, a calamidade deixou milhares de pessoas desabrigadas e desalojadas, enquanto a busca por desaparecidos continua sob condições desafiadoras.
O Balanço Sombrio: Vítimas Fatais e Desaparecidos
O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais atualizou o balanço das mortes, confirmando 66 óbitos. Deste total, 60 foram registrados em Juiz de Fora, a cidade mais impactada, e outros seis em Ubá. A contagem de vítimas subiu após a descoberta de um corpo não identificado no bairro Linhares, em Juiz de Fora, na manhã deste sábado. A tragédia também se estende àqueles que ainda não foram encontrados: três pessoas permanecem desaparecidas, sendo duas em Ubá e o menino Pietro, de 9 anos, em Juiz de Fora, mantendo a apreensão entre as comunidades afetadas.
Cenário de Desolação e Auxílio aos Desabrigados
As chuvas torrenciais provocaram alagamentos generalizados e deslizamentos de terras, transformando a paisagem de diversas localidades. Os bombeiros prosseguem incansavelmente nos esforços de busca por sobreviventes e na remoção de corpos em meio aos escombros. Em Juiz de Fora, a situação é crítica, com a prefeitura registrando mais de 4,2 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas. Desde segunda-feira (24), a Defesa Civil local já atendeu a 2.149 ocorrências. A cidade de Ubá também enfrenta um quadro preocupante, com pelo menos 421 de seus habitantes necessitando de abrigo emergencial após perderem suas casas.
Desafios Estruturais e Resposta Governamental
A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, destacou na sexta-feira (27) a vulnerabilidade da cidade, revelando que uma em cada quatro pessoas reside em áreas de risco. A gestora enfatizou a urgência de intervenções estruturais em todo o município para prevenir futuras catástrofes. Em resposta à gravidade da situação, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Defesa Civil Nacional, liberou um repasse de R$ 6,196 milhões. Este montante destina-se a ações de resposta em sete municípios brasileiros atingidos por desastres naturais, incluindo as cidades mineiras de Ubá e Matias Barbosa.
Relatos da População e Controvérsias
Em meio à tragédia, surgem relatos comoventes e questionamentos. Sobreviventes de Juiz de Fora afirmam que os sistemas de alerta para enchentes e deslizamentos não funcionaram eficazmente, pegando muitos de surpresa. Contudo, há também histórias de heroísmo, como a de um ex-soldado que corajosamente salvou uma criança das águas da inundação na mesma cidade. Paralelamente, a crise gerou debate político, com o presidente Lula criticando o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, por supostamente não ter utilizado R$ 3,5 bilhões em obras de prevenção de desastres relacionados às chuvas, adicionando uma camada de controvérsia à já delicada situação.
À medida que as chuvas persistem e o panorama de recuperação se mostra distante, Minas Gerais enfrenta um de seus momentos mais críticos. A solidariedade e a coordenação entre diferentes esferas de governo e a sociedade civil serão cruciais para mitigar os impactos e iniciar a longa jornada de reconstrução e prevenção contra futuras calamidades.



