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Lula Acusa EUA de ‘Erro Estratégico’ em Artigo no Washington Post e Rebate Política Tarifária

julho 26, 2026 | by cardminas

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um artigo incisivo neste domingo (26) no renomado jornal norte-americano The Washington Post, onde teceu duras críticas à política tarifária adotada pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil. Em seu texto, o chefe de estado brasileiro refutou veementemente os argumentos que levaram à imposição das taxações, alertando para os prejuízos que tais medidas trarão também à economia norte-americana e enfatizando que o Brasil não cederá a pressões baseadas em inverdades.

A Perspectiva Brasileira sobre as Barreiras Comerciais

Em seu posicionamento, divulgado também em português nas redes sociais da Presidência, Lula destacou o que considera um caráter ideológico na decisão do governo do ex-presidente Donald Trump. Segundo o presidente brasileiro, a iniciativa teria o objetivo de interferir na política interna do Brasil e nas eleições daquele ano. Ele fez menção direta às declarações de Marco Rubio, então secretário de Estado, que, no início de junho, excluiu o Brasil do rol de países amigáveis aos EUA na América Latina, reforçando a percepção de uma instrumentalização política da relação bilateral.

O artigo reiterou um argumento central do governo brasileiro desde o início das taxações: a relação comercial entre os dois países apresenta um superávit significativo para os Estados Unidos. Diante dessa assimetria e da imposição das tarifas, Lula afirmou categoricamente que o Brasil buscará ativamente novos parceiros comerciais em escala global, diversificando suas relações econômicas. Ele alertou que, no médio prazo, as tarifas podem desorganizar cadeias produtivas densamente integradas, levando empresas brasileiras a substituir fornecedores norte-americanos por outros de diferentes origens.

A Escalada Tarifária e o 'Erro Estratégico'

A crítica de Lula surge em um cenário de crescentes medidas protecionistas dos EUA. Notícias prévias já indicavam a imposição de uma tarifa de 12,5% a produtos brasileiros, e um sobretaxa de 37,5% que atingiu US$ 6,6 bilhões em exportações do Brasil, embora 471 produtos tenham sido isentos da primeira medida. Mais recentemente, em 15 de julho, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) impôs uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros.

Entre os produtos mais afetados pelas novas taxações estão exportadores de ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas não destinadas ao setor de aviação e outros produtos manufaturados. O USTR justificou as medidas alegando que certas práticas brasileiras seriam descabidas e oneravam ou restringiam o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses. Lula, em sua publicação, rebateu essa argumentação diretamente.

O presidente brasileiro classificou as novas tarifas como um "erro estratégico", além de injustas, argumentando que elas não apenas prejudicam a economia dos Estados Unidos, mas também a sólida parceria com o Brasil. Ele exemplificou que diversos segmentos industriais norte-americanos dependem de insumos brasileiros, e a taxação resultará em alimentos, calçados, têxteis, móveis, autopeças e outros bens chegando mais caros ao consumidor final nos EUA, gerando um impacto inflacionário indesejado.

Defesa da Soberania e Abertura ao Diálogo

No artigo, Lula também aproveitou para defender a atuação do Brasil em áreas que foram alvo de críticas por parte do governo norte-americano em diferentes momentos da relação bilateral recente. Entre elas, destacam-se os esforços brasileiros contra o desmatamento, a legislação nacional voltada para o combate a crimes nas redes sociais e o sucesso do Pix, o sistema de pagamentos instantâneos amplamente utilizado no país, todos pontos que haviam gerado algum atrito diplomático.

O presidente concluiu seu artigo reforçando os princípios da política externa brasileira, que respeita a soberania de outros Estados e negocia com aqueles que também respeitam a soberania nacional. Ele sublinhou que a reciprocidade é a base fundamental de qualquer relação entre nações e que o Brasil dispõe de mecanismos apropriados para assegurá-la. Apesar das críticas contundentes, Lula manteve a disposição do Brasil para o diálogo, desde que pautado pelo respeito mútuo e pela igualdade.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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