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Escalada no Oriente Médio: Fracasso de Acordo Revela Jogo de Poder e Hegemonia

julho 20, 2026 | by cardminas

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O Oriente Médio testemunha uma perigosa escalada de confrontos militares nos últimos dias, expondo de forma contundente o colapso de um suposto memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos. O acordo, que visava conter o conflito que já ceifou milhares de vidas desde 28 de fevereiro, provou-se ineficaz diante da intensificação dos ataques de ambos os lados, revelando as profundas raízes geopolíticas e os interesses em jogo na região.

Ataques Cruzados Intensificam a Tensão Regional

A atual fase do conflito é marcada por uma série de ofensivas direcionadas. De um lado, os Estados Unidos têm lançado bombardeios intensos contra o Irã, atingindo não apenas alvos militares, mas também infraestruturas civis críticas. Pontes, hospitais, usinas de dessalinização de água e de produção de combustíveis, e até um canteiro de obras de uma usina nuclear foram reportados como alvos, evidenciando uma estratégia de pressão abrangente. Paralelamente, o Irã tem retaliado, concentrando seus ataques contra alvos em países do Golfo aliados dos EUA, como Jordânia, Bahrein e Kuwait. Essas ações iranianas visam tanto bases militares americanas quanto infraestruturas civis essenciais, incluindo usinas de dessalinização de água e de geração de energia, ampliando o raio de impacto da confrontação.

O Acordo como 'Ficção': Interesses Petroleiros e Hegemonia

A percepção de que o acordo entre Irã e EUA foi um fracasso é amplamente compartilhada por analistas. O major-general português Agostinho Costa, especialista em segurança e geopolítica, descreveu o memorando de entendimento como uma 'mentira' ou 'manobra diversionista' de Washington. Segundo Costa, o então presidente Donald Trump teria assinado o documento motivado pela iminente exaustão das reservas estratégicas de petróleo americanas, causadas pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. A urgência de evitar uma crise, especialmente no fornecimento de diesel, teria levado à criação de um acordo sem real intenção de ser cumprido, uma 'ficção' para gerenciar a crise momentânea.

Agostinho Costa ressalta que a essência do conflito reside na disputa pela hegemonia norte-americana na região. A implementação do memorando entregaria ao Irã o controle de uma rota marítima vital para países 'clientes' dos EUA, como Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait. Para o general, a recusa americana em ceder controle é uma defesa do 'império norte-americano', demonstrando que os interesses estratégicos de longo prazo superam qualquer compromisso diplomático momentâneo, reiniciando a ofensiva em defesa de sua posição dominante.

A Jordânia no Epicentro e os Objetivos Frustrados dos EUA

O cientista político Ali Ramos, especialista em geopolítica, destaca a intensificação dos ataques iranianos contra alvos na Jordânia como uma das poucas, mas significativas, diferenças na nova fase da guerra. A Jordânia emergiu como o principal hub logístico da Força Aérea americana na região, dada a vulnerabilidade de outras bases no Golfo. Curiosamente, o aeroporto Ben Gurion, em Israel, que também funciona como uma das maiores bases aéreas dos EUA, permanece intocado, servindo como um 'santuário' em meio aos ataques.

Ramos aponta que os objetivos declarados pelos EUA para a guerra – como o desmantelamento do programa nuclear iraniano, o fim de seu programa balístico e o término do apoio a milícias regionais – estão longe de serem alcançados. Em vez de sucesso, a estratégia americana parece ter escalado para uma 'guerra de terra arrasada', exemplificada por ataques a infraestruturas civis como uma fábrica de dessalinização, que deixou 10 mil iranianos sem água. Essa tática, contudo, é vista por Ramos como contraproducente, pois tende a fortalecer a legitimidade do regime iraniano internamente, ao invés de enfraquecê-lo.

Impasse Estratégico e a Resiliência Iraniana

Retomando a análise, Agostinho Costa critica a aparente falta de uma nova estratégia por parte dos Estados Unidos. A repetição das campanhas de bombardeio aéreo, que já se mostravam ineficazes desde o início dos confrontos em 28 de fevereiro, demonstra que os americanos não estão dispostos a um envolvimento terrestre e, ao mesmo tempo, superestimam a capacidade de resolver um problema estratégico da dimensão do Irã apenas com poder aéreo.

Paralelamente, o militar português avalia que as capacidades ofensivas do Irã não foram significativamente deterioradas, contrariando as alegações do governo dos EUA. O cenário atual é descrito como uma 'gestão da escalada do conflito', indicando que, embora não se tenha atingido um impasse total, ainda existe margem considerável para uma intensificação ainda maior das hostilidades antes que os limites de escalada sejam alcançados.

Raízes Profundas: Regimes, Hegemonia e o Estreito de Ormuz

Analistas indicam que as agressões lançadas por Israel e EUA contra o Irã, tanto em junho de 2025 (data provavelmente errada na fonte original, presumindo-se um erro de digitação e referindo-se a eventos passados) quanto a partir de 28 de fevereiro, tinham como objetivo principal a 'troca de regime' no país persa. Essa mudança política visava, entre outras coisas, conter a crescente expansão econômica da China na região e solidificar a hegemonia política e militar de Israel no Oriente Médio, reconfigurando o equilíbrio de poder em favor dos interesses ocidentais.

Diante do fracasso em derrubar a República Islâmica, os EUA agora redirecionam seu discurso, afirmando que buscam apenas restaurar o status quo de navegação no estratégico Estreito de Ormuz como era antes da guerra. No entanto, o governo iraniano, que controlava a passagem de cerca de 20% do comércio global de petróleo antes do conflito, reivindica um novo modelo de gestão para o Estreito, sinalizando que os termos do futuro não serão os mesmos do passado.

A escalada atual no Oriente Médio transcende a retórica de acordos e foca a profunda disputa por influência e recursos. Com os EUA lutando para manter sua hegemonia e o Irã demonstrando resiliência e capacidade ofensiva, o futuro da região e seu impacto nas cadeias de energia globais permanecem incertos. O que se desenrola é um complexo jogo de xadrez geopolítico, onde cada movimento tem repercussões significativas para a estabilidade mundial.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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