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Tereza de Benguela e a Luta Contemporânea: Mulheres Negras Reivindicam Titulação de Terras em Dia de Memória e Ação

julho 25, 2026 | by cardminas

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O dia 25 de julho marca uma dupla celebração e um incessante chamado à luta: o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A data, que reconhece as conquistas e desafios enfrentados pelas mulheres negras, serve como um pilar para a visibilização de pautas urgentes, como a titulação de terras quilombolas, e reverencia a história de resistência encarnada por figuras como a lendária líder quilombola Tereza de Benguela. É um momento de reflexão e mobilização, onde o passado se encontra com o presente na busca por justiça e equidade.

O Legado de Luta de Tereza de Benguela

No século XVIII, em meio à brutalidade da escravidão, Tereza de Benguela emergiu como um farol de resistência. Após o assassinato de seu companheiro, José Piolho, ela assumiu a liderança do Quilombo do Quariterê, em Mato Grosso. Conhecida como “rainha Tereza”, ela governou uma comunidade de mais de cem pessoas, entre indígenas e negros, por duas décadas, organizando-a em um sistema que documentos históricos descrevem como semelhante a um Parlamento, com decisões tomadas coletivamente. Sua liderança, que desafiou o sistema escravista até 1770, inspira gerações.

Apesar das incertezas sobre seu local de nascimento — se no continente africano ou no Brasil — e as circunstâncias de sua morte, o legado de Tereza de Benguela permanece incontestável. Leonor Costa, jornalista, pesquisadora em Direitos Humanos e militante do Movimento Negro Unificado, ressalta a mensagem atemporal da líder: "Diante da opressão, não há outra alternativa que não seja a luta, que não seja o enfrentamento de um sistema que oprime". Sua vida simboliza a força e a resiliência necessárias para confrontar as injustiças.

A Luta Pela Terra: Um Reflexo da Resistência Quilombola

A força de Tereza de Benguela reverbera na pauta contemporânea das mulheres negras, especialmente na urgência da titulação dos territórios quilombolas. Selma Dealdina Mbaye, da Coordenação Nacional de Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), enfatiza que a maior parte da população nesses territórios é composta por mulheres, que anseiam pela garantia de suas terras. A titulação não é apenas um reconhecimento legal, mas uma salvaguarda essencial contra a grilagem, a exploração desenfreada, a mineração predatória e todas as formas de violência e violação que ameaçam essas comunidades.

O Brasil abriga mais de 8 mil quilombos, distribuídos em 24 estados e mais de 1,7 mil municípios, totalizando mais de 1,3 milhão de pessoas. Esses números sublinham a importância vital de assegurar a existência e a proteção desses espaços, onde a cultura, a história e a identidade negra são preservadas e fortalecidas. A defesa do território quilombola é, portanto, a defesa da dignidade e da autonomia de um segmento significativo da população brasileira.

Julho das Pretas: Amplificando Vozes e Demandas

Além das comemorações oficiais, o mês de julho se transformou no 'Julho das Pretas', uma iniciativa criada em 2013 pelo Odara – Instituto da Mulher Negra de Salvador. Esta agenda, que se consolida anualmente, busca expandir o diálogo e a mobilização em torno dos direitos e demandas das mulheres negras em todo o país. Em sua 14ª edição, a iniciativa coordena mais de 600 atividades, articuladas por quase 300 coletivos, evidenciando a capilaridade e a força do movimento.

Essa mobilização reflete os princípios estabelecidos no 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, realizado em 1992 em Santo Domingo, República Dominicana, que deu origem ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Naquele evento, representantes de mais de 30 países uniram-se para denunciar o racismo e as desigualdades, construindo uma agenda coletiva. Atualmente, entre as diversas ações do Julho das Pretas, destaca-se a Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, que, por exemplo, clama por justiça para Luana Barbosa, uma mulher negra e lésbica, cuja morte há dez anos, após uma abordagem policial violenta, ainda ecoa como um lembrete das violências sistêmicas enfrentadas.

A celebração do 25 de julho, em sua dupla dimensão internacional e nacional, transcende a mera data comemorativa. Ela consolida a memória de heroínas como Tereza de Benguela e fortalece a voz coletiva das mulheres negras, que continuam a lutar por direitos, reconhecimento e um futuro mais justo. Seja na defesa do território quilombola ou na exigência de justiça social, a resistência e a resiliência permanecem como pilares inabaláveis dessa jornada contínua.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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